Mal-entendidos são coisa fácil de começar. Basta uma palavra impensada, uma pontuação mal colocada em uma frase, um pequeno detalhe que passa desapercebido, e lá está o problema.

Qualquer palavra dita ou compreendida fora de um contexto pode significar uma bela dor de cabeça. E, como uma comunicação é sempre feita entre um emissor e um receptor, se não houver sintonia de entendimento entre os dois, ou se o receptor não estiver familiarizado com a linguagem utilizada pelo emissor, é dor de cabeça garantida.

As armadilhas são muitas. Sempre foram. E, no mundo que vivemos hoje, de velocidade em tudo, mensagens curtas e rápidas, excesso de abreviações ao digitar, para poupar tempo, elas ficam ainda mais frequentes. Uma simples abreviatura mal feita, ou mal entendida, e todo o sentido de um texto pode estar mudado. Claro, geralmente para pior, para uma ou ambas as partes.

Já que é quase impossível garantirmos que não ocorrerão mal entendidos, o mais importante é sabermos como contorná-los. Isto é algo que requer atitudes positivas de ambas as partes.

É preciso refletir se o ponto obscuro não destoa do contexto de todo o restante da comunicação. Se destoar, daquele ponto em diante o assunto seguiu o contexto anterior ou seguiu o contexto do ponto mal entendido?

Deve-se levar em conta, em alguns casos, a possibilidade de ter havido truncamento de mensagem. Quando computadores se comunicam, eles trocam entre si, como parte do protocolo, confirmações de que tudo chegou em ordem. E mesmo assim, como sabe qualquer pessoa que já tentou fazer algum download, algumas vezes existem truncamentos de dados que o protocolo não percebe. O que se dirá nas comunicações humanas, onde quase não usamos as rotinas de confirmação?

Aliás, por que não usa-las? Não apenas as rotinas de confirmação (“Você disse XYZ mesmo, como eu entendi?), mas também rotinas de redundância (“bla bla bla ABC bla bla. Então, como eu te disse, ABC.”), para termos certeza de que passamos e recebemos corretamente a mensagem.

Em especial em meios onde podem acontecer truncamentos com freqüência, como celulares e sms, adotar ester hábitos é uma boa idéia.

Mas, acima de tudo, precisamos ter sempre conosco dois detalhes simples, para evitarmos mal-entendidos. Ou ao menos corrigi-los o mais rapidamente possível. E são detalhes que deveriam nos diferenciar dos protocolos eletrônicos das máquinas, e nos colocar num patamar acima do delas. Mas como não usamos, acabamos por ter muito mais falhas de comunicação. São eles o bom senso de saber que o que foi comunicado não faz sentido no contexto e a compreensão de que possa ter havido alguma falha ou engano. Seja na emissão, seja na recepção da mensagem comunicada.

Simples assim. E difícil assim.