Ontem, conversando com a minha irmã, ela comentou que havia jantado um macarrão que “ficou com gosto de vó”. Entendi a alusão perfeitamente, e a conversa passou para as comidas que nossa avó fazia. Algumas que ainda hoje conseguimos comer parecidas, outras que ninguém consegue fazer igual. As receitas que morreram com ela…
Da comida e dos sabores para os cheiros, foi um pulo. O sabonete Phebo preto. A vela perfumada que ela nunca acendeu. A roupa lavada com sabão de cinzas que ela mesma fazia, e quarada ao sol. A comida feita no fogão de lenha…
Lembrança puxa lembrança, e corremos novamente pelo quintal cheio de árvores, comendo frutas no pé, brincamos na pracinha da igreja, voltamos a espiar os frequentadores do bar vizinho, nos cobrimos com as colchas de retalhos e os edredons de penas (numa época em que nem era moda usar edredons, quanto mais de penas). Revivemos,na imaginação, os doces momentos de férias naquela pacata cidade do interior.
Foi bom recordar. Usar a imaginação para quebrar as barreiras do tempo e do espaço e voltar a um local e época que não existem mais. A uma casa que hoje não tem mais nada a ver com o que era na nossa infância. Nem mesmo os nossos velhos fantasmas sobreviveram no que restou dela.
Mas às vezes é bom ter uma saudade assim, para amenizar a dor de uma saudade maior.